8 de maio de 2013

Toda busca de felicidade é miséria.






...Pergunta: Uma vez que tenha decidido encontrar a Realidade, o que farei depois?

Mararaj: Depende de seu temperamento. Se você for sério, qualquer caminho que escolher o levará a sua meta. É a seriedade o fator decisivo.

P: E o que me amadurecerá? Necessito de experiência?

M: Você já teve toda a experiência de que necessita. Você não precisa acumular mais, em vez disto você deverá ir além da experiência. Qualquer esforço que fizer, qualquer método que seguir, meramente gerará mais experiência, mas não o levará além. Nem a leitura de livros o ajudará. Eles enriquecerão sua mente, mas a pessoa que você é permanecerá intacta. Se esperar qualquer benefício de sua busca material, mental ou espiritual, você errará o alvo. A verdade não dá nenhuma vantagem. Não lhe dá um status mais elevado, nenhum poder sobre os outros; tudo o que você obtém é a verdade e a liberdade do falso.

P: Seguramente, a verdade me dará o poder para ajudar outros.

M: Isto é mera imaginação, de qualquer forma nobre! Na verdade, você não ajuda outros porque não há outros. Você divide as pessoas em nobres e ignóbeis e você pede ao nobre que ajude o ignóbil. Você separa, avalia, julga e condena – em nome da verdade você a destrói. Seu próprio desejo de formular a verdade a nega, porque ela não pode ser contida em palavras. A verdade só pode ser expressa pela negação do falso – em ação. Para isto você deve ver o falso como falso e rejeitá-lo. A renúncia do falso é libertadora e dá energia. Abre o caminho para a perfeição.

P: Quando saberei que descobri a verdade?

M: Quando a ideia “isto é verdadeiro”, “aquilo é verdadeiro”, não surgir. A verdade não afirma a si mesma, ela está na visão do falso como falso e em rejeitá-lo. É inútil buscar a verdade quando a mente estiver cega ao falso. Deverá ser purificada completamente do falso antes que a verdade possa despontar em você.

P: Mas o que é falso?

M: Certamente, o que não tem nenhum ser é falso.

P: O que você quer dizer por não ter nenhum ser? O falso existe, duro como um prego.

M: O que se contradiz não tem ser. Ou só o tem momentaneamente, o que vêm a ser o mesmo. Pois o que não tem um princípio e um fim não tem nenhum meio. É um oco. Só tem um nome e uma forma dados pela mente, mas não tem nem substância nem essência.

P: Se tudo que passar não tem ser, então o universo não terá nenhum ser tampouco.

M: Quem o negou? Certamente, o universo não tem ser.

P: O que tem?

M:Aquilo que não depende de nada para sua existência, que não surge quando surge o universo nem se põe quando o universo se põe, que não necessita de qualquer prova, mas dá realidade a tudo que toca. A natureza do falso é parecer real por um momento. Pode-se dizer que a verdade torna-se o pai do falso. Mas o falso está limitado no tempo e no espaço e é produzido pelas circunstâncias.

P: Como me liberto do falso e obtenho o real?

M: Com que propósito?

P: Para viver uma vida melhor, mais satisfatória, integrada e feliz.

M: O que quer que seja concebido pela mente deve ser falso, pois é obrigado a ser relativo e limitado. O real é inconcebível e não pode ser aparelhado para um propósito. Deve ser desejado por si mesmo.

P: Como posso querer o inconcebível?

M: O que mais é digno de desejo? Concordo, o real não pode ser desejado como uma coisa é desejada. Mas você pode ver o irreal como irreal e descartá-lo. É o descarte do falso que abre o caminho para o verdadeiro.

P: Entendo, mas como se parece na vida diária atual?

M: O interesse próprio e o egocentrismo são os pontos focais do falso. Sua vida diária vibra entre o desejo e o medo. Observe-a atentamente e verá como a mente assume inumeráveis nomes e formas, como um rio espumante entre as pedras. Siga o motivo egoísta em cada ação e olhe-o atentamente até que se dissolva.

P: Para viver se deve cuidar de si mesmo, deve-se ganhar dinheiro para si mesmo.

M: Não necessita ganhá-lo para si mesmo, mas pode ter que ganhá-lo para uma esposa ou um filho. Pode ser que deva seguir trabalhando para os outros. Mesmo só manter-se vivo pode ser um sacrifício. Não há nenhuma necessidade de ser egoísta. Descarte todo motivo egoísta logo que o veja e não necessitará buscar a verdade; a verdade o encontrará.

P: Há um mínimo de necessidades.

M: Não foram satisfeitas desde que você foi concebido? Abandone a escravidão do egoísmo e seja o que é – inteligência e amor em ação.

P: Mas se deve sobreviver!

M: Você não pode contribuir para a sobrevivência! Seu ser real é eterno e está além do nascimento e da morte. E o corpo sobreviverá enquanto for necessário. Não é importante uma vida longa. Uma vida plena é melhor que uma longa vida.

P: Quem vai dizer que é uma vida plena? Depende de meu fundo cultural.

M: Se você buscar a realidade, deverá se libertar de todos os antecedentes, de todas as culturas, de todos os padrões de pensamento e sentimento. Mesmo a ideia de ser um homem ou uma mulher, ou mesmo humano, deve ser descartada. O oceano da vida contém tudo, não apenas os humanos. Assim, em primeiro lugar abandone a auto-identificação, pare de pensar de si mesmo como assim e assado, esse e aquele, isto ou aquilo.

Abandone todo interesse próprio, não se preocupe com seu bem-estar, material ou espiritual, abandone todo desejo grosseiro ou sutil, deixe de pensar em avanços de qualquer tipo. Você é completo aqui e agora, não necessita absolutamente de nada. Isto não quer dizer que deva ser tolo e imprudente, imprevidente ou indiferente; apenas a ansiedade básica por si mesmo deve cessar. Você necessita algum alimento, roupa e abrigo para você e para os seus, mas este desejo não cria problemas enquanto a ambição não passar por necessidade. Viva em sintonia com as coisas como elas são e não como são imaginadas.

P: O que sou eu se não um ser humano?

M: Aquilo que o faz pensar que você é humano não é humano. Não é senão um ponto de consciência sem dimensão, um nada consciente; tudo o que pode dizer sobre si mesmo é: “eu sou”. Você é puro ser – Consciência – bem-aventurança. Compreenda que este é o fim de toda busca. Você chega a ele quando vir que tudo o que pensa sobre si mesmo é mera imaginação, é permanecer distante, na pura consciência do transitório como transitório, do imaginário como imaginário, do irreal como irreal. Isto não é de forma alguma difícil, mas o desapego é necessário. É o apego ao falso que faz tão difícil a visão do verdadeiro. Uma vez que entenda que o falso precisa de tempo e que necessitar de tempo é falso, você estará mais próximo da Realidade, a qual é eterna, sempre no agora. A eternidade no tempo é mera repetição, como o movimento de um relógio. Flui do passado para o futuro interminavelmente, uma perpetuidade vazia. A Realidade é que faz o presente tão vivo, tão diferente do passado e do futuro, os quais são meramente mentais. Se você precisar de tempo para alcançar algo, deverá ser falso. O real está sempre com você; não precisa esperar para ser o que você é. Apenas não deve permitir que sua mente saia de você mesmo na busca. Quando quiser algo, pergunte a si mesmo: realmente necessito disto? E, se a resposta for não, então meramente o abandone.

P: Não devo ser feliz? Posso não necessitar de algo, mas se puder me fazer feliz não deverei pegá-lo?

M: Nada pode lhe fazer feliz mais do que é. Toda busca de felicidade é miséria e leva a mais miséria. A única felicidade digna do nome é a felicidade natural de ser consciente.

P: Quer dizer que devo abandonar toda ideia de uma vida ativa?

M: Não, de forma alguma. Haverá casamento, filhos, ganhar dinheiro para manter a família; tudo isto acontecerá no curso natural dos eventos porque o destino deve cumprir-se; você passará por isto sem resistência, confrontando as tarefas como vierem – interessada e completamente –, nas pequenas e grandes coisas. Mas a atitude geral será de carinhoso desapego, enorme boa vontade, sem esperar retorno, dando constantemente sem nada pedir. No casamento, você não é nem o marido nem a esposa; você é o amor entre os dois. Você é a clareza e a bondade que tornam tudo ordenado e feliz. Pode parecer vago para você, mas, se pensar um pouco, descobrirá que o místico é o mais prático, pois faz com que sua vida seja criativamente feliz. Sua consciência é elevada a uma dimensão superior, da qual se vê tudo muito mais claramente e com maior intensidade. Você compreenderá que a pessoa que você se tornou no nascimento, e que cessará de ser na morte, é temporária e falsa. Você não é a pessoa sensual, emocional e intelectual, oprimida por desejos e temores. Descubra seu ser real. O “que sou eu?” é a questão fundamental de toda filosofia e psicologia. Vá profundamente para dentro dela.

 – Nisargadatta Maharaj  -  Do livro "Eu Sou Aquilo"

3 de abril de 2013

Existe algo além desse "eu" ?




Jiddu Krishnamurti



Se constantemente, estiverem procurando, interrogando, duvidando, então surge o discernimento no qual há iluminação.
(...)
Todos podem ser levados à dúvida por outrem, a duvidar do próprio conhecimento, da própria compreensão que houverem colhido, por meio do sofrimento de vocês. Porém, a dúvida que não for oriunda de vocês mesmos, não purificará. Somente purificará as suas crenças estreitas, só dará estabilidade à sua estreita forma de culto à personalidades, se você se apegarem a algo que, de momento, é um conforto e, portanto, uma traição à verdade. Mas, se houverem convidado a dúvida na plenitude do coração de vocês para colocarem à prova essa compreensão da verdade da qual colheram um vislumbre, então, duvidando da própria dúvida, o que permanecer será puro, absoluto e final.

E a fim de que possam compreender o absoluto e o eterno, devem ter experimentado a sombra da dúvida lançada sobre o entendimento de vocês. E, como a maioria das pessoas temem a dúvida, pensam ser um crime, um pecado, expulsam a dúvida de suas mentes, acrescentando assim a sua estreiteza, a sua mesquinhez na adoração de personalidades, em seus abrigos que acalentam decadência e conforto.

Ao contrário, se convidarem a dúvida para entrar no coração e na mente de vocês e se acompanharem a dúvida, logicamente, por todos os seus caminhos, avenidas e sombras da mente e do coração e incansavelmente escutarem e examinarem todas as coisas, então, o que permanecer será do próprio conhecimento de vocês, e, portanto, o absoluto, o eterno.
(...)
Existe contradição de ideias, teorias, criadas pelas constantes afirmações dos dirigentes, a respeito do que é e do que não é.

Alguns deles dizem que Deus existe, outros que não existe. Alguns sustentam que o indivíduo vive após a morte; os espíritas proclamam haver provado que existe continuação da mente individual; — outros dizem que só existe o aniquilamento. Alguns acreditam na reencarnação, outros a negam.

Empilha-se teoria sobre teoria, incerteza sobre incerteza, afirmação sobre afirmação. O resultado de tudo isto é que o indivíduo fica integralmente incerto; ou então, o indivíduo fica tão cercado, tão limitado por conceitos e formas de crenças particulares, que recusa ponderar sobre o que realmente é verdadeiro. Ou estão incertos, confusos, ou estão certos nas suas crenças e na forma particular de pensamento. Para o homem que está verdadeiramente incerto, há esperança; para o homem, porém, que está incrustado na crença, naquilo que ele chama intuição, há pouquíssima esperança, pois fechou a porta à incerteza, à dúvida, e acha repouso e consolação na segurança.

Imagino que a maioria de vocês estejam incertos, confusos, portanto, profundamente desejosos de compreender o que é a realidade, o que é a verdade.

A incerteza engendra o medo, o qual dá nascimento ao desânimo e à ansiedade. Depois consciente ou inconsciente, começa o indivíduo a fugir desses temores e suas consequências.

Observem  os seus pensamentos, e surpreenderão este processo em operação. À medida que anseiam por se assegurarem do propósito da vida, do além, de Deus, começam a se aperceber dos seus desejos, por meio dessa investigação, sobrevém a dúvida, a incerteza. Depois essa mesma dúvida e incerteza criam o medo, o isolamento, a vacuidade ao redor e em vocês mesmos.

Isto é um estado necessário para a mente, porque então ela deseja experimentar e compreender a realidade.

Porém, o sofrimento implícito neste processo é tão grande que a mente procura abrigo e cria para si mesma o que ela chama intuições, conceitos, crenças e agarra-se a essas coisas desesperadamente, com esperança de encontrar certeza. Este processo de fuga da atualidade, da incerteza, tem de necessariamente conduzir à ilusão, à anormalidade, às neuroses e desequilíbrio. Mesmo que aceitem essas instituições , essas crenças, e nelas tomem abrigo, se, apesar disso, se examinarem a si mesmos com profundidade, verificarão que existe ainda o medo, a incerteza continua.

Este estado vital de incerteza, isento do desejo de a ele escapar, é o início de toda a verdadeira busca da realidade. O que é que realmente vocês estão procurando? Só pode haver um estado de compreensão, uma percepção direta daquilo que é, da atualidade, pois, a compreensão não é um fim, um objetivo a ser atingido. O discernimento do processo efetivo do "eu", do seu vir-a-ser e de sua verdadeira dissipação é o começo e o fim da busca.

Para entender aquilo que é, deverá a compreensão principiar por si mesmos. O mundo é uma série de processos indefinidos, variados, que não podem ser plenamente compreendidos, pois cada força é única em si mesma e não pode ser verdadeiramente perceptível em sua totalidade. O processo integral da vida, da existência no mundo, depende inteiramente de forças únicas e só poderão compreender  por meio desse processo que se acha focalizado no indivíduo sob a forma de consciência. É possível alcançarem superficialmente o significado de outros processos; porém, para compreender a vida plenamente, necessitam entender o processo que opera em vocês, sob a forma de consciência.

Se cada qual de vocês, profunda e significativamente, compreender esse processo que opera sob a forma de consciência, então nenhum de vocês lutará para si mesmo, existirá para si nem se preocupará consigo. Presentemente, cada qual preocupa-se consigo próprio, lutando para si e agindo antissocialmente, por não se compreender a si mesmo, plenamente; e é somente pela compreensão de nossa força única como consciência, que há a possibilidade de compreender o todo. Quando plenamente discernirem o processo do "eu", cessarão de ser uma vítima que luta sozinha no vácuo.

Esta força é única, e em seu próprio desenvolvimento torna-se consciência, de onde surge a individualidade. Por favor, não decorem esta frase; porém, antes, pensem a respeito, e assim verificarão que esta força é única para cada um e, mediante seu desenvolvimento auto-ativo, torna-se consciente. O que é esta consciência? Ela não pode ter localização alguma, e tão pouco pode ela dividir-se em superior e inferior. A consciência compõe-se de múltiplas camadas de lembranças, de ignorância, de limitações, de tendências e anseios. Ela é discernimento e tem o poder de compreender os valores últimos. É o que nós chamamos individualidade. E não perguntem: "nada mais existe além disto?" Isso será discernido, quando o processo do "eu" houver terminado. O que importa é se conhecer a si mesmo, e não — saber o que está para além.

Vocês apenas procuram recompensa para os seus esforços, algo a que possam se apegar no presente desespero, incerteza e temor de vocês, que evidenciam ao perguntar: existe algo além desse "eu"?

Ora, a ação é esse atrito, essa tensão que se dá entre a ignorância, o anseio e o objeto de seu desejo.

Esta ação sustenta-se a si própria e é isso que dá continuidade ao processo do "eu". Portanto, a ignorância, pelas suas atividades por si mesma sustentadas, perpetua-se sob a forma de limitações por ele próprio criadas, impedem as verdadeiras relações com os outros indivíduos, com a sociedade. Estas limitações isolam o indivíduo, e por isso surge o medo constantemente. Esta ignorância, no que a nós diz respeito, cria sempre o medo, com suas múltiplas ilusões, e daí decorre a busca da união com o eu superior, com qualquer inteligência super-humana, com Deus, e assim por diante. Deste isolamento provém a continuação de sistemas, de métodos de conduta, de disciplina.

Pela dissolução destas limitações, vocês começam a discernir que a ignorância não tem princípio, que se mantém a si própria pelas suas próprias atividades, e que este processo só pode finalizar pelo reto esforço e pela reta compreensão. Vocês podem colocar isto à prova, mediante a experiência e discernir, por si mesmos, que o processo da ignorância é isento de começo e isento de terminação. Se a mente-coração estiver presa por qualquer preconceito particular, sua própria ação tem de criar outras limitações, e, portanto, produzirá maior tristeza e confusão. Assim, perpetua ela sua própria ignorância e suas próprias tristezas.

Se vocês se tornarem plenamente conhecedores desta atualidade, mediante a experiência, então, se dará a compreensão do que seja o "eu", e o esforço reto poderá lhe colocar fim.

Este esforço é o percebimento no qual não há seleção ou conflito de opostos, uma parte da consciência vencendo a outra parte, um preconceito sobrepujando a outro. Isto exige um pensamento vigoroso, que libertará a mente de temores e limitações. Somente então haverá o permanente, o real.

Pelo simples afirmar que toda a existência está condicionada, jamais descobrirão se existe um estado que possa não ser condicionado. Ao se tornar integralmente apercebido do estado condicionado, cada um começará a compreender a libertação que vem através da cessação do medo. 

 Krishnamurti

1 de janeiro de 2013

EU ACREDITAVA ...



Jeff Foster


"Eu costumava “ACREDITAR”...
que estava iluminado 
e que os outros não estavam.
QUÃO IRÔNICO.

Eu costumava “ACREDITAR”...
que "não havia ninguém" para se iluminar
que todos os ensinamentos espirituais eram falsos e dualistas.
Que a “não-dualidade" era o único e verdadeiro ensinamento.
QUÃO ARROGANTE.

Eu costumava “ACREDITAR”...
que "não havia ninguém" que pudesse despertar.
"Nada para fazer, nem para aonde ir", era o meu novo "mantra espiritual".
QUÃO SIMPLISTA.

Eu costumava “ACREDITAR”...
que não havia tempo nem espaço
e nenhuma possibilidade de mudança qualquer.
QUÃO NIILISTA.

Eu costumava “ACREDITAR”... 
Que não havia um "eu" que acreditasse em tal coisa. 
*abro um parênteses: (A CRENÇA DA NÃO CRENÇA???)
QUÃO INOCENTE...

Despertar não significa se fixar rigidamente em determinado "sistema", e ficar regurgitando constantemente para os outros ouvirem.
*abro outro parênteses: (PALAVRAS MORTAS???) 

Despertar significa olhar claramente além da crença.
Significa encarar a vida sem medo, sem tentar se auto-proteger.
Significa mergulhar na profunda aceitação de cada momento.
Significa deixar para trás todas as idéias acerca de si mesmo.
INCLUINDO A IDÉIA DE QUE SE PODE CHEGAR AO FIM DO CAMINHO.

Nós nunca chegamos ao fim
nós somos apenas Agora
Este é o grande gume da faca do despertar.

É tão fácil cair. Eu mesmo caí muitas vezes. Eu vi a queda dos outros e sigo vendo-os cair.

A GRANDE HUMILDADE ESTÁ EM RECONHECER QUE NÃO SABEMOS NADA.

E que o despertar jamais ocorreu a "mim".

Jeff Foster 


17 de fevereiro de 2012




Meher Baba



A Existência é a Substância, a Vida é a Sombra.

A Existência é eterna, enquato que a vida é perecível. Comparativamente, a Existência é o que seu corpo é para o homem e a vida é como a roupa que cobre o corpo. O mesmo corpo muda de roupa de acordo com as estações, com o tempo e as circunstâncias, da mesma forma que a Existência eterna e una sempre está lá através de todos os inúmeros aspectos variados da vida.
Envolta além do reconhecimento pelo manto da vida com suas dobras e cores variadas está a Existência imutável. É o traje da vida com seus véus - o véu da mente, da energia e das formas grosseiras que "encobrem" e se sobrepõe sobre a Existência, apresentando a Existência eterna, indivisível e imutável como transiente, diversificada e em constante mudança.
A Existência é onipresente e é a essência fundamental que sublinha todas as coisas animadas ou inanimadas, reais ou irreais, variadas em espécie ou uniforme em formas, coletivas ou individuais, abstratas ou substanciais.
Na eternidade da Existência não existe o tempo. Não há passado nem futuro, apenas o presente eterno. Na eternidade nada jamais aconteceu e nada jamais acontecerá. Tudo está acontecendo no interminável AGORA.


A Existência é Deus, enquanto que a vida é ilusão.


A Existência é Realidade, enquanto que a vida é imaginação.


A Existência é eterna, enquanto que a vida é efêmera.


A Existência é imutável, enquanto que a vida está sempre mudando.


A Existência é liberdade, enquanto que a vida é um aprisionador.


Existência é indivisível, enquanto que a vida é múltipla.


Existência é imperceptível, enquanto que a vida é enganosa.


A Existência é independente, enquanto que a vida é dependente da mente, da energia e das formas brutas.


A Existência é, enquanto que a vida parece ser.


A Existência, portanto, não é a vida.


O nascimento e a morte não marcam o início ou o fim da vida. Considerando que as diversas fases e estados da vida que constituem os chamados nascimentos e mortes são regidos pelas leis da evolução e da reencarnação, a vida vem a existir uma única vez, com o advento dos primeiros raios pálidos da consciência limitada, e sucumbe à morte apenas uma vez ao alcançar a Consciência Plena da Existência Infinita.
A Existência, onisciente, onipotente, Deus onipresente, está além de causa e efeito, além do tempo e do espaço, além de todas as ações.
A Existência toca a tudo, todas as coisas e todas as sombras. Nada jamais pode tocar a Existência. Mesmo o próprio fato de seu ser não tocar a Existência.
Para perceber a Existência é preciso despreender-se da vida. É a vida que dá limitações ao Ser ilimitado. A vida do ser limitado é sustentada pela mente que cria impressões, pela energia que alimenta o impulso para acumular e dissipar essas impressões através de expressões, e por formas grosseiras e corpos que funcionam como instrumentos através dos quais essas impressões são gastas, reforçadas e, eventualmente, exauridas através de ações.
A vida está densamente associada às ações. A vida é vivida através de ações. A vida é valorizada através de ações. A sobrevivência da vida depende de ações. As ações são o que faz a vida ser conhecida - ações opostas em natureza, ações afirmativas e negativas, ações construtivas e destrutivas. Portanto, para deixar a vida sucumbir até sua morte definitiva é deixar todas as ações terminarem. Quando as ações terminam completamente, a vida do ser limitado espontaneamente experimenta-se como a Existência do Ser ilimitado.
A Existência ao ser realizada (percebida e atingida), a evolução e a involução da consciência estão completas, a ilusão desaparece e a lei da reencarnação não pode mais aprisionar.
Simplesmente desistir de cometer ações nunca colocará um fim nas ações. Seria simplesmente significar pôr em ação uma outra ação - a da inatividade.
Escapar das ações não é o remédio para a erradicação das ações. Pelo contrário, isso daria margem para o ser limitado ficar mais envolvido no próprio ato de escapar, criando assim mais ações.
As ações, tanto as boas quanto as ruins, são como nós no emaranhado da linha da vida. Quanto mais persistentes os esforços para desatar os nós da ação, mais firmes tornam-se os nós e maior o emaranhamento.
Somente ações podem anular ações, da mesma maneira que o veneno pode neutralizar os efeitos do veneno. Um espinho profundamente enraizado pode ser extraído ao usarmos um outro espinho ou qualquer objeto pontiagudo semelhante a um espinho, como uma agulha, utilizada com habilidade e precaução. Da mesma forma, as ações são totalmente arrancadas por outras ações, quando são cometidas por algum agente de ativação que não seja o 'ser'.
Karma yoga, dnyan yoga, raj yoga e bhakti yoga servem o propósito de serem sinais importantes no caminho da Verdade, orientando o buscador para a meta da Existência eterna. Mas a vida alimentada por ações, segura tão apertado o aspirante que mesmo com a ajuda desses sinais inspiradores, ele falha em ser guiado na direção certa. Enquanto o Ser é vinculado por ações, o aspirante ou mesmo o peregrino no caminho da Verdade, certamente irá se extraviar pelo auto-engano.
Ao longo de todas as eras, sadhus e buscadores, sábios e santos, Munis e monges, tapasavis e Sanyasis, yogis, Sufis e talibs têm lutado durante suas vidas inteiras, passando por dificuldades incalculáveis em seus esforços para se desembaraçarem do emaranhado de ações e perceberem a Existência eterna ao sobrepujarem a vida.
Eles falham em suas tentativas porque quanto mais lutam com seu 'ser', mais firmemente seu ser é agarrado pela vida, por meio de ações intensificadas pelas austeridades e penitências, reclusões e peregrinações, meditação e concentração, declarações assertivas e contemplação silenciosa, por uma intensa atividade e inatividade, pelo silêncio e pela verbosidade, por japas e tapas, e por todos os tipos de yogas e chillas.
A emancipação das garras da vida e a liberdade dos labirintos das ações são possíveis para todos e alcançadas por poucos, quando um Mestre Perfeito, Sadguru ou Qutub é abordado e sua graça e orientação são invocadas. O conselho invariável do Mestre Perfeito é a rendição completa a ele. Os poucos que se entregam por completo - mente, corpo, bens, de modo que com sua entrega total eles entregem também conscientemente seu próprio "ser" ao Mestre Perfeito - ainda mantêm seu próprio ser que permanece consciente para cometer ações que são agora ativadas apenas pelos ditames do Mestre.
Tais ações, após a entrega do 'ser', não são mais ações da própria pessoa. Assim, essas ações são capazes de arrancar todas as outras ações que alimentam e sustentam a vida. A vida torna-se então gradualmente sem vida e, eventualmente, sucumbe pela graça do Mestre Perfeito, à sua morte final. A vida, que uma vez impediu o aspirante perseverante de realizar a Existência perpétua, já não pode operar seu próprio engano.
Eu enfatizei no passado, eu lhes digo agora e repetirei era após era para todo o sempre: para vocês deixarem cair seu manto da vida e perceberem a Existência que é eternamente sua.
Para realizar esta verdade da Existência imutável, indivisível, que tudo permeia, a maneira mais simples é se entregar a mim completamente, tão completamente que você nem sequer fique consciente de sua rendição, consciente apenas de me obedecer e agir como e quando eu lhe ordenar.
Se você busca viver eternamente, então implore pela morte de seu ser enganoso nas mãos da entrega total a mim. Esse yoga é a essência de todos os Yogas em um.